Capela da Praia do Saco amplia mobilização institucional e entra de vez na pauta da Alese e do TCE
A discussão em torno da Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, localizada na Praia do Saco, em Estância, ganhou novos contornos institucionais e passou a mobilizar, de forma mais direta, diferentes esferas do poder público sergipano.
Após levar o tema à tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe, o deputado estadual Marcelo Sobral voltou a atuar em defesa da permanência e preservação do espaço, desta vez em reunião realizada no Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, a convite da conselheira Susana Azevedo, com a participação de representantes de instituições e moradores ligados à causa.

A sequência de movimentos mostra que o caso deixou de ser apenas uma reação pontual à decisão judicial que determinou a desmontagem e realocação da capela. O tema agora avança como uma pauta de interesse público, cercada por discussões sobre patrimônio histórico, identidade cultural, memória religiosa e responsabilidade institucional.
Na Assembleia, Marcelo Sobral havia defendido a necessidade de ampliar o debate e envolver os órgãos diretamente ligados ao processo, propondo uma sessão especial com a presença de representantes ambientais, Diocese, Prefeitura de Estância e setores do Governo do Estado. A ideia é construir uma saída que não trate a capela apenas sob o aspecto formal da decisão, mas também à luz de seu valor simbólico para a população sergipana.
Já no âmbito das articulações institucionais mais recentes, um dos principais encaminhamentos foi a sinalização de abertura do processo de tombamento estadual da capela, iniciativa a ser conduzida pela Academia Sergipana de Letras em conjunto com o Conselho Estadual de Cultura. A medida pode representar um passo importante para garantir proteção legal ao imóvel.
Além disso, a mobilização também deverá avançar no campo legislativo. Está prevista para o dia 5 de maio a realização de uma sessão especial na Assembleia Legislativa, com o objetivo de aprofundar a discussão e contribuir para a construção de um projeto de lei voltado ao reconhecimento da Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem como patrimônio cultural imaterial de Sergipe.
A entrada definitiva do caso nas agendas da Alese e do TCE reforça a dimensão que a discussão alcançou nos últimos dias. Mais do que a controvérsia sobre uma estrutura física, o debate passou a envolver a preservação de um espaço que, para muitos sergipanos, guarda lembranças de celebrações, manifestações de fé e vínculos afetivos construídos ao longo de décadas.
Diante disso, a disputa em torno da capela tende a seguir como um dos temas de maior repercussão no debate público estadual, reunindo pressões populares, iniciativas legislativas e articulações institucionais em torno da preservação de um dos símbolos mais sensíveis da Praia do Saco.


