Lúcio Flávio amplia crise no PL, abandona pré-candidatura e promete influenciar eleição em Sergipe

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Lúcio Flávio amplia crise no PL, abandona pré-candidatura e promete influenciar eleição em Sergipe

Vereador rompe o silêncio, faz duras críticas à direção estadual do partido, anuncia desistência da disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa e afirma que apresentará nomes para apoiar nas eleições de outubro.

A crise interna do PL em Sergipe ganhou um novo capítulo. Após deixar a presidência municipal da legenda em Aracaju, o vereador Lúcio Flávio publicou uma série de cinco vídeos em que detalha os bastidores do rompimento com a direção estadual do partido, faz acusações contra lideranças da sigla e anuncia que não será mais candidato a deputado estadual.

O movimento representa mais do que uma desistência eleitoral. Na prática, retira da disputa um dos nomes historicamente ligados ao bolsonarismo em Sergipe e abre um novo foco de desgaste para o partido em pleno período de consolidação das chapas.

Ao longo dos vídeos, Lúcio afirma ter sido alvo de perseguição política, acusa a presidente estadual do PL, Moana Valadares, de promover uma “máquina de destruição de reputação” e diz que decisões estratégicas passaram a ser tomadas sem diálogo com as bases do partido.

Disputa vai além de cargos

Em sua manifestação, o vereador procura enquadrar o conflito como uma disputa por princípios e identidade ideológica.

Lúcio relembra sua participação nos movimentos de direita desde 2014 e afirma que esteve na campanha que levou Jair Bolsonaro à Presidência da República em 2018. Segundo ele, sua trajetória dentro do campo conservador antecede a chegada de parte das atuais lideranças do PL sergipano.

Também relata divergências com o deputado federal Rodrigo Valadares, afirmando que chegou a ser pressionado a deixar o partido após declarar apoio ao pré-candidato ao Senado André David.

O vereador ainda critica escolhas internas do PL, questiona critérios adotados pela direção estadual e sustenta que o partido deixou de priorizar nomes identificados historicamente com o bolsonarismo.

Críticas atingem projeto eleitoral do partido

Os ataques não ficaram restritos à direção estadual.

Lúcio também direcionou críticas ao pré-candidato ao Governo de Sergipe, Ricardo Marques, afirmando que ele não possui histórico de atuação nos movimentos de direita e que sua candidatura atenderia mais a uma estratégia política interna do que a uma construção do bolsonarismo sergipano.

As declarações aprofundam um cenário de tensão justamente quando o partido busca consolidar um discurso de unidade para a campanha de 2026.

Saída produz efeito político

A decisão de retirar a pré-candidatura também produz reflexos eleitorais.

Lúcio Flávio era considerado um dos principais representantes do eleitorado bolsonarista raiz em Aracaju e poderia contribuir para fortalecer o desempenho proporcional do PL na disputa pela Assembleia Legislativa.

Com sua saída, o partido perde um nome identificado com sua base ideológica mais tradicional, enquanto abre espaço para questionamentos internos sobre a condução política da legenda.

Ao mesmo tempo, o vereador deixa claro que continuará participando do processo eleitoral.

Apoios serão anunciados

Mesmo fora da disputa, Lúcio afirmou que continuará nas ruas durante a campanha e que, nos próximos dias, anunciará os candidatos que receberão seu apoio.

A declaração cria expectativa no meio político, especialmente porque seu grupo mantém influência junto ao eleitorado conservador da capital e pode interferir na distribuição de votos para deputado estadual, deputado federal e Senado.

A Regra do Jogo

A manifestação de Lúcio Flávio revela um problema que vai além de um conflito pessoal. Quando uma liderança que ajudou a construir determinado campo político rompe publicamente com a direção do próprio partido, o desgaste deixa de ser interno e passa a atingir a narrativa de unidade.

Em ano eleitoral, partidos costumam concentrar esforços para ampliar alianças. O PL sergipano, porém, entra na reta decisiva convivendo com uma crise pública, troca de acusações e perda de um quadro que possuía identidade consolidada junto ao eleitorado conservador.

Resta saber se o impacto ficará restrito ao ambiente partidário ou se a movimentação de Lúcio Flávio será suficiente para redistribuir apoios e alterar o equilíbrio das chapas na disputa de outubro.

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